À Margem: Água, Cultura e Território – Espaço do Conhecimento UFMG
 
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Uma imersão naquele que margeia tantas cidades mineiras, sendo responsável por inúmeros avanços da sociedade que se formou ao seu redor. Um passeio pelo rio que ajudou Minas Gerais a ter um status importante nessa imensidão que é o Brasil. Uma viagem por aquele que, apesar de tanta ajuda, viu suas matas ciliares e o solo que armazena sua água começarem a agonizar. Para essa interessante jornada pela Bacia das Velhas, não é preciso pôr o pé na estrada. Por meio da arte, o Espaço do Conhecimento UFMG mergulha na história desse rio, à espera de ser reinserido à cidade.

Uma parceria com o projeto de extensão da universidade Manuelzão, a exposição temporária À Margem: Água, Cultura e Território, inaugurada em 21 de março, conta a história dessas águas, cruciais para o surgimento de Belo Horizonte. Os visitantes são convidados a entender o caminho do rio, desde sua nascente até seu curso por campos e cidades, e compreender como, no lugar de áreas verdes preservadas, vieram esgoto, resíduos industriais, agrotóxicos e assoreamento.

A mostra À Margem integra as comemorações dos 90 anos da UFMG, dos 20 anos do Projeto Manuelzão e dos 7 anos do Espaço do Conhecimento UFMG. A exposição foi desenvolvida com recursos do patrocínio da Unimed-BH e do Instituto Unimed-BH, por meio da Lei de Incentivo à Cultura.

A curadoria científica é de Marcus Vinicius Polignano e Lila Gaudêncio. A Coordenadora do Núcleo de Expografia do Espaço, Tereza Bruzzi, é a curadora artística da mostra.

 

Um rio que fala
A cultura e a arte pulsam no Rio das Velhas, onde diversas comunidades, ribeirinhas e urbanas, mantêm fortes relações com suas águas. À Margem oferece ao visitante uma instalação feita com cordas que reproduz a grandeza da bacia. Uma experiência sensorial que mostra algumas cidades margeadas pelo rio e seus afluentes, evidenciando aspectos positivos e negativos dessa relação.

Ao lado, outra instalação reflete como o vínculo com o Rio das Velhas gerou narrativas que ajudam a construir sua forte identidade. O Bumba Meu Boi em Santa Luzia ou as poesias de Guimarães Rosa são exemplos de como costumes locais ajudam no resgate da memória em busca de soluções para que os mineiros possam coexistir com essas águas de forma harmônica.

 

Mapa Colaborativo
À procura de uma aproximação da população com o rio que está tão próximo de nós, mas permanece invisível aos nossos olhos, a exposição terá a instalação Mapa Colaborativo, composto por dois mapas: um deles mostra a Belo Horizonte planejada; já o segundo apresenta a capital mineira hoje, revelando por onde passam os córregos. Neste, os visitantes poderão deixar suas impressões sobre a importância da Bacia das Velhas, indicando quais atividades gostariam de desenvolver às suas margens, como beber água, nadar ou fazer um piquenique.

 

Duas décadas de revitalização do rio
Toda a exposição foi concebida em parceria com o projeto de extensão Manuelzão, criado em 1997, na Faculdade de Medicina da UFMG, com o intuito de atuar pela melhoria das condições ambientais, promovendo mais qualidade de vida à população. Tal esforço se concentrava na revitalização da Bacia do Rio das Velhas, já que muitas doenças vinham da falta de cuidado com suas águas. A principal área de atuação foi o investimento na educação ambiental. Hoje, os participantes do projeto trabalham especificamente com escolas, focando nos córregos do Arrudas e do Onça, em BH.

O Manuelzão foi batizado em homenagem ao vaqueiro Manuel Nardi, que conviveu com o escritor Guimarães Rosa e foi eternizado como personagem no livro Grande Sertão: Veredas. Pela forte relação com o Rio das Velhas, inspirou o nome projeto, que se compromete com a biodiversidade do planeta.